Certas coisas a gente aprende com o tempo certo?!
Quando iniciei o curso técnico em design de interiores, adorava ver as revistas de decoração. Sempre achei lindos os ambientes com brilho, cor, texturas e tudo o que se tem direito. Coincidentemente meus trabalhos sempre foram temáticos, com tendência absorvidas de alguma nova edição recém saída da banca, e com cores algumas vezes até contratantes. Durante todo o curso defendia a ideia de que todo ambiente precisava de cor viva.
Quando trabalhei na loja Carpetes e Cia (venda de piso, persiana, cortinas, papel de parede e tapetes), sempre ficava um tanto frustrada por ver tantas opções e mesmo assim a cada 10 clientes, 9 optavam por um “cremezinho”, um “beginho”, um “clarinho”.
Apesar de ter conhecimento da teoria das cores, que existem cores indicadas para cada ambiente e de que algumas cores “cansam” a vista, o que eu percebia era o medo das pessoas em ousar até mesmo em uma parede do lavabo. Salva uma vez que uma adolescente pediu a mãe o papel de parede para seu quarto, uma estampa listrada em vermelho, roxo e pink. Confesso que até mesmo eu achei exagero.
Então com essa observação, cheguei a duas conclusões:
1. As pessoas têm medo de ousar (seja em cor,textura,estampas) – isso de certa forma acredito que reflete em um medo na mudança de rotina e da paisagem do seu dia-a-dia.
2. As pessoas “vestem” a sua casa para as visitas – o que os outros pensam sobre o seu lar como reflexo da sua personalidade é um fator decisivo na decoração.
Ao trabalhar na Casa Vostra, uma loja de móveis e decorações elitizada aqui em São Paulo na Cidade Jardim, percebia que muitos itens eram comprados para decorações momentâneas, com frases como “-Minha sogra vem jantar e quero deixar tudo lindo”. Trabalhando agora na grande cidade e com um público com poder aquisitivo ainda maior, percebi que a tendência dos “inhos” era ainda mais forte (até mesmo a loja era neutra, e linda). Alguns objetos coloridos tinham uma boa saída, mas os móveis em geral eram sempre neutros.
É fato que a decoração é um reflexo da nossa personalidade em sua grande maioria, mas é muito mais aquilo que queremos que saibam do que necessariamente o que somos.
Às vezes é um refúgio. Como por exemplo, ao acompanhar a entrega de um móvel criado para um bioquímico em seu novo apartamento no Butantã, me deparei com uma geladeira retro, um painel fotográfico ao fundo da mesa da copa, e um papel em uma das paredes todo colorido. Ele disse que passava muito tempo em hotel, viajando a trabalho, e que queria que sua casa fosse mais “viva”. Quase bati palmas.
Por fim fui percebendo a importância da harmonia de todo o conjunto: a casa, a cor, a paisagem, o ser.Absorver e saber trabalhar com essa harmonia é algo muito mais complexo. É conhecer a fundo a história, a vida e a personalidade das pessoas que irão compartilhar aquele espaço.
Não existe revista ou manual que possa dizer o que é certo para sua casa, existem fragmentos que se pode utilizar, de forma correta e sábia em cada situação para uma boa decoração.
Acredito que é isso que venho aprendendo, a encontrar essa harmonia e que nem sempre a falta de um arco-íris faz um lar “triste”, às vezes é o neutro que equilibra toda uma rotina após as 18 horas. E posso ate confessar, comprei uma cortina “beginha” para a minha sala.


