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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Irmãos Campana- O design do Brasil

Fernando nasceu em Brotas e se formou em Arquitetura na Belas Artes e Humberto nasceu em Rio Claro e se formou em Direito pela USP.  Mesmo com diferenças de formação os irmãos Campana há pouco mais de 20 anos montaram o “Estúdio Campana” onde passam a criar objetos e peças a partir do reaproveitamento de diversos tipos de materiais como cordas, lascas de madeira, EVA, fios de PVC, guardas chuvas, papelão, garrafas pet, ralos de banheiro e outros.


Com toda essa contemporaneidade e ousadia se toraram os primeiros designers brasileiros a expor no MOMA ( Museu de Arte Moderna de Nova Iorque), o que trouxe grande visibilidade ao trabalho da dupla e os tornou mundialmente famosos.

O que chama a atenção para esses designers é o uso inusitado de matérias.
Mesmo que não se parece confortável, existe uma criatividade muito forte em cada peça, o que as tornam únicas.
Essa ideia de utilizar um material existente e por vezes comum, criando uma nova forma e um novo produto dando-lhe uma nova função é realmente genial. E como provar que todo material pode ter vários usos, que não devemos ter esse olhas estático para tudo o que nos cerca.

Design Irmãos Campana
Uma de suas peças mais famosas é a Poltrona Vermelha, feita de 500m de cordas com a estrutura em aço inoxidável. Uma peça de design artesanal, pois a forma de se produzir essa cadeira não pode ser apresentado com um projeto esquemático, para isso os Irmãos Campana tiveram que fazer um vídeo explicando o modo de entrelaçar a corda para que a Edra se tornasse capaz de comercializa-la desde 1998.


Essa peça foi um marco no design não só brasileiro como mundial, pois em uma época aonde o design caminhava para a industrialização, os Irmão Campana chegam com suas intervenções artísticas nas peças que podem ser classificadas como arte. Afinal, em cada uma de suas poltronas, luminárias e outras peças há um inegável trabalho artístico, que vai além do design. Por isso, depois dos Campana e suas peças únicas – cada uma, mesmo com aspecto semelhante, tem um toque único e exclusivo dos criadores – , nasceu a classificação do Design-Arte.

Outra peça que mostra a brasilidade em seu design e até no nome é a cadeira Favela, feita de tiras de sarrafo fixadas em uma base de metal de forma irregular assim como as favelas brasileiras.
Cadeira Favela

 Para quem assiste o programa Encontro com Fatima Bernardes na Globo já pode ter reparado em uma poltrona um tanto quanto diferente. Essa poltrona foi presente dos irmãos Campana, e é feita com base em aço e revestida com bonecas feitas por mulheres de uma OBG na cidade de Esperança na  Paraíba. É conhecida como poltrona multidão ou Paraíba e na mesma linha temos a poltrona banquete  que é feita com bichos de pelúcia.
Poltrona Paraíba
Poltrona Banquete
Os irmãos Campana também são responsáveis por design de objetos de decoração e objetos pessoas, como sapatos, roupas e joia. Esse design está presente na parceria com a Melissa, a Lacoste e a H.Stern.

Melissa
Lacoste

 Enfim, há quem ame e quem odeie todo ou parte do trabalho dos Irmão Campana. Alguns acreditam que são designs fantásticos, mas que os moveis são inacessíveis para o bolso da população e mais se parecem com uma peça de arte para “enfeitar” do que algo usual.

Eu acredito que esse design deve ser aplaudido de pé, apesar de concordar que os preços dessas peças ainda são altos para comercio popular. Vejo o lado estético apenas como reflexo de um design irreverente e descontraído, e gosto disso. Um design que está “fora da caixinha” e acredito que tudo aquilo que é diferente do que estamos acostumados a usar ou ver pode causar certa resistência.
Mas que o conceito dos Irmão Campana é sensacional,  não é possível negar. Além de valorizar o design brasileiro, valoriza nosso artesanato, valoriza nossos materiais e trás uma sustentabilidade em peças feitas com materiais considerados por muitos como lixo.


O trabalho dos Irmãos Campana é pra mim o design com a cara do Brasil.



Link da apresentação do seminário: http://migre.me/kCcS3
Fontes: http://campanas.com.br/pt#
http://portalarquitetonico.com.br/
Imagens: Internet.


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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

“Inhos” na decoração


Certas coisas a gente aprende com o tempo certo?! 

Quando iniciei o curso técnico em design de interiores, adorava ver as revistas de decoração. Sempre achei lindos os ambientes com brilho, cor, texturas e tudo o que se tem direito. Coincidentemente meus trabalhos sempre foram temáticos, com tendência absorvidas de alguma nova edição recém saída da banca, e com cores algumas vezes até contratantes.  Durante todo o curso defendia a ideia de que todo ambiente precisava de cor viva. 

Quando trabalhei na loja Carpetes e Cia (venda de piso, persiana, cortinas, papel de parede e tapetes), sempre ficava um tanto frustrada por ver tantas opções e mesmo assim a cada 10 clientes, 9 optavam por um “cremezinho”, um “beginho”, um “clarinho”. 

Apesar de ter conhecimento da teoria das cores, que existem cores indicadas para cada ambiente e de que algumas cores “cansam” a vista, o que eu percebia era o medo das pessoas em ousar até mesmo em uma parede do lavabo. Salva uma vez que uma adolescente pediu a mãe o papel de parede para seu quarto, uma estampa listrada em vermelho, roxo e pink. Confesso que até mesmo eu achei exagero. 

Então com essa observação, cheguei a duas conclusões: 

1. As pessoas têm medo de ousar (seja em cor,textura,estampas) – isso de certa forma acredito que reflete em um medo na mudança de rotina e da paisagem do seu dia-a-dia. 
2. As pessoas “vestem” a sua casa para as visitas – o que os outros pensam sobre o seu lar como reflexo da sua personalidade é um fator decisivo na decoração. 

Ao trabalhar na Casa Vostra, uma loja de móveis e decorações elitizada aqui em São Paulo na Cidade Jardim, percebia que muitos itens eram comprados para decorações momentâneas, com frases como “-Minha sogra vem jantar e quero deixar tudo lindo”. Trabalhando agora na grande cidade e com um público com poder aquisitivo ainda maior, percebi que a tendência dos “inhos” era ainda mais forte (até mesmo a loja era neutra, e linda). Alguns objetos coloridos tinham uma boa saída, mas os móveis em geral eram sempre neutros. 

É fato que a decoração é um reflexo da nossa personalidade em sua grande maioria, mas é muito mais aquilo que queremos que saibam do que necessariamente o que somos. 

Às vezes é um refúgio. Como por exemplo, ao acompanhar a entrega de um móvel criado para um bioquímico em seu novo apartamento no Butantã, me deparei com uma geladeira retro, um painel fotográfico ao fundo da mesa da copa, e um papel em uma das paredes todo colorido. Ele disse que passava muito tempo em hotel, viajando a trabalho, e que queria que sua casa fosse mais “viva”. Quase bati palmas. 

Por fim fui percebendo a importância da harmonia de todo o conjunto: a casa, a cor, a paisagem, o ser.Absorver e saber trabalhar com essa harmonia é algo muito mais complexo. É conhecer a fundo a história, a vida e a personalidade das pessoas que irão compartilhar aquele espaço. 

Não existe revista ou manual que possa dizer o que é certo para sua casa, existem fragmentos que se pode utilizar, de forma correta e sábia em cada situação para uma boa decoração. 

Acredito que é isso que venho aprendendo, a encontrar essa harmonia e que nem sempre a falta de um arco-íris faz um lar “triste”, às vezes é o neutro que equilibra toda uma rotina após as 18 horas. E posso ate confessar, comprei uma cortina “beginha” para a minha sala.



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