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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Serramar: Nem parece shopping.


© Daniel Ducci
Ate agora só escrevi sobre obras que eu “nunca vi, nem comi, eu só ouço falar”. Resolvi escrever sobre esse projeto, pois eu simplesmente o acho incrível. Talvez o fato de já ter visitado ele ajude a sentir a arquitetura com outro sentimento, mas ele é realmente incrível. Tanto que já o usei como referencia em duas situações acadêmicas: um boulevard para deficientes visuais e um centro comercial para Itaquera.
Estamos acostumados aos ambientes fechado, com luz e ventilação artificial da maioria dos shoppings. Quando fui convidada a ir ao Serramar logo falei: “Nossa estou na praia e vou pro shopping?! Shopping vou em São Paulo que tem de penca!” Ainda bem que me convenceram. Imagina você no litoral norte e ir para o shopping e ainda conseguir sentir a brisa do mar e o cheiro de maresia?! No Serramar de Caraguatatuba isso é possível.
© Daniel Ducci

O projeto do escritório Aflalo/Gasperini – acredito que irei falar bastante deles por aqui ainda – aproveitou ao máximo a iluminação e ventilação natural, valorizando a paisagem e o clima do litoral norte paulistano.

O Shopping é térreo,  e entre a serra e o mar, foi implantado em uma área pouco valorizada pelo mercado imobiliário de Caraguatatuba. O que faz com que ele se destaque ainda mais na paisagem, mas sem interferir.

Os volumes são dispostos soltos e de forma irregular e angulada no terreno, permitindo uma circulação dinâmica entre os blocos e o máximo de aproveitamento da ventilação natural com a análise que foi realizada dos ventos predominantes antes da concepção do projeto.




 Entre esses blocos foi criado um pátio interno arborizado com um deck com bancos que permite uma contemplação diferenciada das vitrines e uma nova opção de circulação para quem quer fugir dos corredores.  A composição do amarelado do bambu, dos tons de madeira e da vegetação cria um ambiente aconchegante quebrando a predominância dos tons claros e frios dos shoppings.
© Daniel Ducci
A Praça de alimentação tem sua fachada em vidro transparente e possui uma área para refeições do lado externo sob um deck com um córrego a sua frente que permite privilegiar uma vista panorâmica da Serra da Mantiqueira.
© Daniel Ducci
A área interna da praça de alimentação e as lojas são as únicas a receber climatização, as demais áreas receberam ventiladores mecânicos apenas  para potencializar a circulação do ar.
O Serramar Parque Shopping tem 100 lojas, além de um hipermercado, homecenter, praça de alimentação com redes de fast food e restaurantes, quatro salas de cinema e 1000 vagas para estacionamento.


Um projeto sustentável, que integra e valoriza a paisagem, e acima de tudo agrada até aqueles que não gostam de ir ao shopping.Um dos  projetos mais inspiradores para mim pois está fora dos padrões, é percebesse que é um lugar feito para as pessoas e não para as marcas e lojas, valorizando o usuário do espaço como centro do projeto.

Fontes:http://www.archdaily.com.br/br/01-29619/serramar-parque-shopping-aflalo-e-gasperini-arquitetos
http://aflalogasperini.com.br/?portfolio=serramar-2
Imagens: Internet.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Uma busca que levou a um encontro: Jorge Wilheim

No começo do semestre passado, foi pedido pesquisa de repertório para a elaboração do projeto arquitetônico de um novo MIS. Os professores selecionaram algumas obras e sortearam entre as equipes.
Meu grupo ficou com o Paço das Artes, localizado na cidade universitária - USP.
O Paço é um local aonde alguns alunos, ex- alunos de artes da USP e convidados expõem mostras de arte contemporânea.  

O processo da pesquisa incluiu a visita ao local e achamos o local um tanto obscuro, meio abandonado, e por mais que o grupo buscasse informações sobre esse projeto, não encontrávamos nada. Pedimos para a administração do Paço nos enviar algum material, mas nem eles sabiam quem era o autor do projeto.
A responsabilidade do local fica sendo jogada de um lado para o outro entre a Secretaria da Cultura de SP e a Administração da USP, além de  existir uma briga pelo terreno entre USP e o Instituto Butantã.
Por fim, descobrimos que o Paço das Artes é uma obra inacabada de Jorge Wilheim.



Alguns dizem que o projeto teria até 70 mil metros quadrados, outros dizem 25 mil metros construídos que seria de acordo com a Revista Projeto edição 335 “Uma área edificada maior que a do Memorial da América Latina, o novo espaço deve se transformar na mais importante oficina cultural do estado”. Hoje tem construído pouco mais de 4 mil metros quadrados e é conhecido por muitos como o "esqueleto" da USP.

Centro Cultural
Centro Cultural



Mesmo com poucas informações sobre o projeto,  fiquei curiosa sobre o Srº Wilheim, triste ao saber que ele havia falecido a pouco menos de 1 mês e indignada por nunca ter ouvido falar dele , talvez por ignorância minha, mas as vezes todo mundo coloca no pedestal arquitetônico nacional alguns, que falta uma certa atenção a arquitetos como Wilheim que é responsável  por grandes obras dos cartões postais de São Paulo como o novo vale do Anhangabaú.


Jorge Wilheim nasce em 1928 em Trieste, Itália, e chega ao Brasil em 1940, fugindo da Segunda Guerra Mundial.  Formou-se pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie em 1952 e ao vencer um concurso, recém-formado, para a elaboração de o projeto hospitalar da Santa Casa de Jaú, abre escritório próprio.
Em 1954 é convidado para projetar em Mato Groso do Sul o projeto urbanístico da cidade de Angélica para 15 mil habitantes. Desde então teve presença marcante em diversos projetos urbanísticos, como o anteprojeto de plano diretor de Brasília e com essa experiência realizando diversos planos diretores para cidades em desenvolvimento em todo o pais.
Em 1969 concebe e coordena o projeto do parque Anhembi, com o Palácio das Convenções, um hotel e o pavilhão de exposições que teve suas estruturas de treliças metálicas erguidas em 8 horas. Em 1981, associado a Rosa Kliass e Jamil Kfouri, vence o concurso para a reurbanização do vale do Anhangabaú, construído e inaugurado dez anos mais tarde, e que revela aspectos da reflexão urbanística de Wilheim, como a valorização da vida a pé e da rua como uma grande praça de vida cívica, espaços abertos e públicos.
Vale do Anhangabaú

Vale do Anhangabaú

Essa reflexão também pode ser notada na proposta que fez para a Nova Augusta em 1973, aonde propõe  o bloqueia da circulação de automóveis em um longo trecho da via, construindo praças escalonadas com degraus, jardineiras e um mobiliário urbano variado.
Jorge Wilheim é considerado um dos principais urbanistas brasileiros e teve forte atuação politica como defensor do chamado “planejamento estratégico”. Foi titular da Sempla (Secretaria Municipal de Planejamento) de 1983 a 1986 elaborando o plano diretor de São Paulo de 1984. Secretario Estadual do Meio Ambiente de 1987 a 1991 e na gestão seguinte de 1991 a 1994 se torna presidente da Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo, a tão conhecida Emplasa, da onde surgiram grande projetos pioneiros e teve sua participação nos 31 Planos Estratégicos das Sub-Prefeituras de São Paulo.
Com toda essa bagagem urbanística em 1994 é convidado pela ONU para trabalhar em Nairóbi-Quênia no cargo de Secretario geral adjunto da Conferencia Mundial de Habitat 2, realizada em 1996 em Istambul-Turquia
Seus trabalhos mais recentes contam com consultoria para as obras das Olimpíadas Rio 2016, os estudos urbanísticos para as estações do TAV - Trem de Alta Velocidade, coordenação geral na elaboração da Operação Urbana Rio Verde-Jacu  e tantas outras novas OP em São Paulo. 
Na arquitetura podemos encontrar sua marca no Hospital Albert Einstein, SESI Vila Leopoldina e em breve na nova Casa da Orquestra em Belo Horizonte entre outros.

Autor de mais de 10 livros sua obra mais recente é São Paulo: uma interpretação (Editora SENAC) que em breve pretendo ler.

Creio que posso resumir Jorge Wilheim brevemente como um homem que trabalhou, e muito bem, em busca de uma vida urbana melhor para todos. Todas ideologias vista em minhas aulas de urbanismo foram praticadas por ele por toda a sua vida e por todos os lugares que passou. Acredito que ele tenha passado tudo isso para a equipe que o acompanhou e para a equipe que ira continuar os seu trabalhos pois espero ver esse grande Arquiteto e Urbanista dono de um sorriso cativante (que muito me lembrou meu querido vó) eternizado em suas obras com orgulho e admiração que carrego e terei para sempre como exemplo.

Link da apresentação do seminário: http://migre.me/lRBwD
Imagens: Internet e fontes.
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quarta-feira, 5 de março de 2014

Museu de Hanói - A pirâmide invertida

Hanói é a capital do Vietnã, localizada na planície norte do país, é uma região com muitos rios que correm para o mar. Com clima tropical, a existência desse amplo recurso hídrico, ajuda a manter a unidade relativa do ar elevada. Salvo no outono, quando o clima fica predominantemente seco, mas fresco, considerando assim a melhor estação de Hanói.

Essa região é habitada desde 3 mil a.C. E tem hoje uma população de aproximadamente 6,5 milhões de pessoas. Porém 50% estão nas áreas rurais, distritos que foram agregados a Hanói, tornando-a segunda maior cidade do Vietnã, e sua principal fonte econômica.
O Vietnã foi palco de muitos confrontos, perdendo assim muito de suas riquezas arquitetônicas nas guerras. Com o controle do Império Francês em 1888, sua arquitetura ganhou características europeias, que podem ser encontradas até hoje, porém em bom estado de preservação de encontram as construções dos últimos 100 anos.

Para presentear a cidade em seu aniversário milenar, o município abriu em 2005 um concurso para o projeto do novo museu da cidade. O escritório alemão GMP Architekten recebeu o primeiro lugar com a sua pirâmide de ponta cabeça.


O museu foi construído em 3 anos (2007-2010) em parceria com escritório local e inaugurado na festa de aniversário de Hanói em setembro /2010. O museu está implantado em um parque nacional, com um belo projeto paisagístico e próximo ao Centro de Convenções Nacional do Vietnã, construído em 2006 pelo mesmo escritório.


Em forma de pirâmide invertida, o andar superior oferece sombreamento ao andar abaixo com sua laje em balanço que é suspensa por tirantes à cobertura de vigas treliçadas. Por sua vez, a cobertura é apoiada em 4 núcleos estruturais distribuídos simetricamente a partir do térreo. Por essa razão, a cobertura precisou ser construída logo após o termino do levantamento dos núcleos, para que pudesse ser feita as lajes dos outros 3 pavimentos.


O fechamento de todas as faces do museu é feita com vidro e aço, o que deixou o edifício mais leve, mas principalmente possibilita o uso da luz natural no museu e integrou a paisagem as obras expostas, e para o visitante que quer contemplar o entorno, o balanço proporciona uma sensação de estar flutuando na paisagem. Para que essa exposição ao sol possa ser aproveitada de forma confortável, todo o pano de vidro possui brise que também criam um visual noturno cinematográfico para o museu.

Essa eficiência energética também é presente na cobertura, aonde existem rasgos que possibilitam uma iluminação zenital indireta. Essa iluminação é usada para valorizar as obras e o espaço.
O museu todo possui 5 andares, contando com subsolo aonde existe sala de conferencia, um pequeno auditório e outras pequenas salas. No ultimo andar, por ser o maior, se encontra uma biblioteca, sala de pesquisa e escritórios. Os outros 3 pavimentos são usados exclusivamente para exposições, que aproveitam os grandes vãos que essa técnica construtiva permitiu.
A entrada no museu pode ser feita por qualquer fachada, e o acesso aos andares, pode ser feito por escada ou elevador localizado no núcleo a partir do térreo, mas a principal forma de circulação é pela rampa em espiral localizada no centro do prédio. Além de permitir o acesso aos andares superiores, essa rampa permite uma visão geral do interior, pois não existe barreira visual de um lado para o outro do museu.




De primeiro momento, o que me encantou no museu de Hanói foi sua excentricidade plástica. Mas ao estudar sobre a sua estrutura e como isso possibilitou atender ao programa de forma leve e a integrar a eficiência energética ao museu, posso dizer que a sua plasticidade foi consequência da solução de outras problemáticas no projeto, e que o resultado final é realmente maravilhoso.

Link da apresentação do seminário:
http://goo.gl/oM6cVI
Fontes: http://www.archdaily.com.br/br
           http://pt.gmp-architekten.de/
Imagens: © Marcus Bredt  e internet.





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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Boas Vindas

Boa Noite,

Ontem em aula, meu professor a fim de conhecer melhor seus alunos foi perguntando o porquê cada um escolheu o curso. Na hora a gente fala qualquer coisa (eu pelo menos) por nervosismo, mas depois fiquei com essa pergunta na cabeça, não que não a tivesse feito antes e ate encontradas as mesmas respostas, mas é que essa primeira semana de aula, esse 5º semestre, percebo o quanto realmente é importante se criar um repertório, pois para ser um profissional completo é necessário um olhar crítico, ter a sua opinião, mas com propriedade no que defende. Não se pode esperar aprendizado apenas de uma boa faculdade, é preciso ir atrás e manter o ritmo.

Então, como já era tempo que vinha pensando em criar um blog, apos as aulas que tive resolvi que não poderia perder mais tempo.

A cabeça ferve de ideias o tempo todo, e se eu não escrever ou desenhar elas acabam indo para a "caixinha" do esquecimento. Além do mais, todo semestre realizo varias pesquisas e o tempo todo encontro informações que aprimoram o meu conhecimento, se eu deixar essas informações todas "offline" dificilmente vou ficar procurando nas inúmeras pastas no computador quando precisar da informação.
Basicamente, esse blog tem a intenção de mostrar o meu olhar (ainda que primário) em relação à arquitetura e tudo que a envolve. Sim, haverá notícia e resumos de pesquisas com suas respectivas fontes, mas informo desde já que não há valor acadêmico nas informações que colocarei aqui (criticas construtivas são bem vindas). 

Então bem vindo ao meu "diário de bordo" dessa incrível aventura que é a faculdade de arquitetura.

fonte:http://farm6.staticflickr.com/5161/5270955425_903fbb4761_z.jpg


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